Ciladas do copo

Publicado novembro 30, 2008 por edugois
Categorias: Gerais

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O álcool modifica as reações cerebrais.Entender essa mecânica é o primeiro passo para findar este malefício.

Por: Eduardo Gois e Karina Pontarolo

 

Os alcoólatras sabem como é difícil suportar o famoso” golinho” na roda de amigos.Por esse motivo é que diversos estudos na área de medicina vem acontecendo,não só para entender este tipo de problema, mas também para ajudar às pessoas que sofrem por não conseguirem ser mais fortes do que a bebida. 

Todos os depoimentos de personagens a seguir são pseudônimos:

Para José, recaídas já fazem parte do cotidiano. Após três tentativas frustradas de parar com a bebida, ele se sente entregue e sem forças para vencer o vício.

Segundo artigo da revista Mente e Cérebro, publicado em 2006 esse fenômeno é denominado de “desejo condicionado” o indivíduo pode se habituar a beber na mesma hora, local e com as mesmas pessoas tornando a ação praticamente um ritual. Mesmo depois de muito tempo com o controle da situação uma recaída de leve pode ser o suficiente para reverter todo o processo.

O caso de Dirceu mostra outro ângulo da tentação à bebida.Ele não colocava um gota de álcool há sete anos na boca.Mas ao participar de um encontro religioso se sentiu muito abalado emocionalmente e quando menos espera teve um ataque de convulsões ,vômito e suor.O que ele queria mesmo naquele momento era virar uma garrafa inteira goela à baixo.Quando parou de beber Dirceu substituiu o vício da bebida pelo cigarro.No local onde ele se encontrava não tinha como saciar o desejo com nenhuma das duas opções.

O que aconteceu com Dirceu é o que os cientistas chamam de “abstinência condicionada. Este fenômeno químico pode acontecer quando o indivíduo está abalado psiquicamente, mesmo após longos períodos sem o consumo de álcool.

Durante muito tempo os alcoólatras foram taxados de fracos,e sem iniciativa para largar o vício.Sabe-se que largar a bebida por si não é tarefa fácil.E  independente de querer ou não, cada indivíduo tem uma assimilação biológica diferente com relação a dependência química.

Em artigos publicados, o psiquiatra e especialista no assunto, Andreas Heinz,revela que a sensibilidade individual aos efeitos do álcool nos neurônios influência significativamente a chance da pessoa torna-se viciado.

Genética e as respostas do Álcool no Organismo

Fonte: Revista Super Interessante Ano 14, n.2 – fev. 2000.

“Pesquisa realizada na Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, iniciada em 1978,mostra que os filhos de alcoólatras são os mais fortes candidatos ao alcoolismo. A herança genética é determinante também à alta resistência ao álcool, suportando-o melhor.

Só 5% dos descendentes de não-alcoólatras têm alta resistência ao álcool. Já quando um dos pais é alcoólatra, o número de resistentes sobe para 40%”.

Isso significa que não só a tendência ao vício, mas os tipos de reação ao álcool,podem estar inscritos no DNA.

A pesquisa mostra que indivíduos capazes de ingerir grandes quantidades de bebidas alcoólicas e estarem “bem” no dia seguinte são justamente os que correm mais risco de se tornarem dependentes. Descobriu-se também que os mais resistentes costumam ser filhos de alcoólatras.

Estatísticas do governo americano apontam que 8% da população dos Estados Unidos é vítima do alcoolismo. Entre filhos de alcoólatra, o número sobe para 40%. Quando pai e mãe são dependentes, a porcentagem vai para 60.”

Apesar de parecer ser tão difícil se livrar do álcool , para o psicanalista,Wagner Paulon diz ser uma doença totalmente curável:

“O alcoolismo é doença crônica, psíquica, somática ou psicossomática, que se manifesta como um distúrbio da conduta perfeitamente tratável.”

A verdade é que não existe uma fórmula mágica para o fim do alcoolismo.O que se aconselha é que para todos aqueles que tem casos de alcoólicos na família ou de amigos.O ideal é o acompanhamento e apoio.Ninguém vive sozinho o alcoólatra não precisa de julgamentos e sim de pessoas que sejam a mão que ampara e sustenta,com conselhos e orientações.

Procurar um grupo de AA – Alcoólicos Anônimos é o primeiro passo.

Vale Conferir :

Heinz,Andreas,Revista Mente e Cérebro Junho de 2006.

Revista Super Interessante Ano 14, n.2 – fev. 2000. 

Eles gastam mais do que ganham.

Publicado novembro 30, 2008 por edugois
Categorias: Gerais

Jovens até 30 anos são as maiores vítimas do crédito

Eduardo Góis

Depois de algumas tentativas, o jovem Pablo Soares de 21 anos conseguiu entrar para faculdade de rádio e TV e está cursando o segundo ano.Como resultado é a realização de um sonho que se completa a cada dia.Mas nem tudo são flores.

O jovem faz parte dos 39 % ,da fatia dos jovens entre 21 e 30 anos, no universo dos inadimplentes, que cresce de forma assustadora.Arcar com as despesas dos estudos e outras compras não é tarefa fácil, segundo a empresa Telecheque, 10% deles têm até 20 anos

Para conseguir se sustentar na faculdade ,o estudante tem que fazer uma jornada dupla de trabalho,em uma rádio da cidade e na assessoria de imprensa da prefeitura.Mesmo assim ainda não é o suficiente.

“Não é fácil,tenho uma carga horária pesada,hoje eu tenho 50% de desconto na mensalidade pelo estágio na rádio e para pagar o restante, trabalho na assessoria,mesmo assim ainda não ganho o necessário para honrar todas as despesas.”, afirma Pablo.

Caso parecido foi o do estudante de direito,Jeferson Santos ,mas o problema dele, não foram os compromissos com a faculdade e sim com os cartões de crédito.

O banco o qual ,o jovem era cliente ofereceu dois ótimos cartões de crédito com limites a perder de vista,senha para sacar dinheiro extra no caixa eletrônico, e ainda um belo cheque especial.A conseqüência de tantos serviços prestados pelo banco e usufruídos por Jeferson, foi ter seu nome bem estampado no Serviço de Proteção ao crédito – (SPC) e no Serasa.

“Eu perdi o controle , não tinha dinheiro pra pagar e quando eu conseguia pagava somente a parcela mínima”,diz Jeferson.

Em entrevista ao site da Faculdade Universia, o psicoterapeuta do Departamento de Psicologia da PUC-Campinas (Pontifícia Universidade Católica de Campinas) Hipólito Carretoni Filho,disse que, este comportamento de consumo não se reflete apenas nas compras, mas no modo como os jovens encaram a vida hoje. Muitas vezes atraídos por circunstâncias que agradam a curto prazo.

Soares e Jeferson,fazem parte de um grupo cada vez mais comum na família brasileira contemporânea. São os jovens endividados. Além de adiar a saída de casa,esses que na maioria são estudantes, não conseguem ajudar nas despesas familiares, nem tampouco pagar as próprias contas. Pior: gastam mais do que devem e acumulam dívidas. Muitos estão simplesmente falidos e entraram na lista negra das entidades de proteção ao crédito.

O terapeuta financeiro e economista Reinaldo Domingos, explica que para conseguir pagar todas as dívidas e manter-se em dia com as contas é necessário fazer um planejamento.

“Para conseguir realizar os sonhos o jovem,ou qualquer pessoa tem que estar sadio financeiramente.Traçar planos,metas e objetivos é o primeiro passo”,ressalta Domingos.

De acordo com o economista comprar à vista e fugir dos cartões de crédito é sempre a melhor opção.

 

Atividades educacionais atendem cerca de 400 pessoas em Lorena

Publicado novembro 30, 2008 por edugois
Categorias: Gerais

 

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Por : Eduardo Gois

 Desde 2004 o antigo “Oratório Santa Teresa”, transformou-se no Cemari – Centro Social Educacional Maria Rita Périllier, que hoje desenvolve ações com crianças, jovens, e adultos em várias oficinas de capacitação para o trabalho como: panificação, cabeleireiro, manicure, entre outros, que garantem o desenvolvimento físico, psicológico, cultural e social para cerca de 400 pessoas.

Segundo a Assistente Social Responsável pelo projeto Zelia Pozzatti,o projeto atende essencialmente o público pertencente às famílias com situação de risco social, desenvolvendo trabalhos e projetos educacionais, baseados na filosofia salesiana de Dom Bosco e Madre Mazzarelo.

Com o objetivo de fortalecer as relações pessoais, familiares e sociais com os usuários, o CEMARI, conta também com projetos como: Brincando e aprendendo, Projovem em parceria com a Prefeitura da Cidade e ainda cursos de iniciação em informática. 

“Buscamos ações que minimizem os altos índices de violência, envolvimento com drogas, evasão escolar, desestruturação familiar e falta de perspectiva de vida” ,afirma a Assistente Social.

O Centro Social está localizado na Rua Joaquim Azevedo Figueira, Nº 179, no bairro Vila Celeste .Mais informações no telefone: (12) 3157  4960

Período de Chuvas é propício para multiplicação de caramujos

Publicado novembro 30, 2008 por edugois
Categorias: Gerais

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Por: Eduardo Gois

No bairro Nova Lorena os moradores sofrem.O motivo é a proliferação do molusco Achatina Fulica,conhecido popularmente como Caramujo africano.Com o período de chuvas,além do estrago ambiental,começa também o aparecimento em localidades residenciais.Eles ficam nos quintais das casas.Preocupação para a dona de casa,Maria Auxiliadora da Silva.Todos os dias ela encontra alguns no seu quintal. Na região circunvizinha ao CSU- Centro Social Urbano, não é difícil encontrar caramujos,pois existe uma área verde próximo às residências.O que facilita a reprodução devido a umidade do solo dos terrenos baldios esta época do ano,além de favorecer à alimentação desses animais que são herbívoros. A diarista Ana Paula dos Santos moradora da localidade há 3 anos, disse que ultimamente se previne porque assistiu na TV que jogar uma solução de sabão em pó e sal no muro evita que eles subam parede à cima. Esta espécie foi trazida na década de 80 do continente africano para o Brasil, para fins comerciais de alimentação na intenção de ser uma alternativa mais barata para substituir o escargot,porém o produto não foi aceito pelo mercado e terminaram sendo soltos na natureza.Como no nosso país não existe predador natural a multiplicação aconteceu de forma muito rápida se espalhando por todos os Estados brasileiros e o que era pra ser um negócio rentável virou praga. Á Secretária Municipal de Meio Ambiente,Bárbara Sparenberj Juliano Nunes,alerta que um único caramujo desova uma média de 400 ovos por mês,tal reprodução gera necessidade de um controle contínuo, desenvolvido em conjunto com a Secretaria Municipal de Saúde. Atualmente à Prefeitura faz um trabalho de prevenção através de uma cartilha,onde mostra que entre os principais cuidados para prevenir doenças transmitidas pelo caracol,como meningite e apendicite aguda,estão fundamentalmente na incineração dos moluscos e o manuseio adequado com proteção de luvas ou sacos plásticos. A Secretária esclarece que “Eles devem ser postos em sacos plásticos e queimados, em seguida deve ser aberta uma vala de pelo menos 80 cm de profundidade e atirado cal para facilitar a decomposição das cinzas”.recomenda Bárbara. De Acordo com a Secretaria de Meio ambiente, o controle é feito efetivamente pela vigilância sanitária que é subordinada à Secretaria de Saúde,sendo que existe o apoio e ajuda de pessoal da Secretaria de Meio Ambiente nas coletas.E ainda lembra que somente o caramujo contaminado pode transmitir doenças. A população pode pedir ajuda ou solicitar os folhetos explicativos através do telefone da Vigilância Sanitária 3159 3300. Segundo informações da Secretaria de Meio Ambiente, Em Lorena o combate controlou a situação há algum tempo e também nunca foi registrado,nenhum caso de contaminação,isto significa que não há indícios de que estão infectados. Apesar de confirmado o controle, através da Secretaria de Meio Ambiente à Vigilância Sanitária não quis se manifestar sobre o assunto.

Projeto de geração de renda e sustentabilidade completa dois anos

Publicado novembro 30, 2008 por edugois
Categorias: Gerais

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Coleta seletiva de materiais produz 40 toneladas mês em Lorena

Por : Eduardo Gois

Depois de muita luta,esforço e três anos sem emprego, a catadora de material reciclável,Rosa Marlene Lopes,38 anos, mãe solteira de sete filhos,conseguiu realizar alguns desejos de consumo,como comprar móveis e eletrodomésticos.Isso só foi possível graças ao trabalho que ela está realizando no Recicras, que é um projeto de reciclagem de lixo que tem como objetivo gerar renda às famílias em situação de vulnerabilidade social e que hoje atende cerca de 40 famílias em Lorena,além de colaborar com o meio ambiente,na organização e limpeza da cidade.
O projeto funciona há dois anos,e às famílias que se beneficiam são rastreadas por uma equipe de Assistentes Sociais e psicólogas.Após o rastreamento, uma vez identificado o perfil de risco social,os atendidos pelo CRAS são encaminhados ao início das atividades de coleta de materiais.
A iniciativa é amparada pela unidade número dois do CRAS – Centro de Referência de Assistência Social que fica localizada no Bairro Santo Antônio em Lorena.
“Hoje coletamos aproximadamente 40 toneladas de materiais por mês, são mais de 18 mil reais em média que iriam direto para o lixão de Cachoeira Paulista,poluir o meio ambiente.Mas que agora geram renda e alimentam mais de 200 pessoas”,diz a coordenadora da segunda unidade do CRAS,Elaine Lopes de Oliveira.
No início das atividades em 2006 a produção era menor que 20 toneladas por mês o que caracteriza um aumento de mais de 100% em produção e atendimento às famílias.
A principal proposta do projeto, além de colaborar com os meios sustentáveis é proporcionar uma condição de trabalho digna para as famílias em situação de vulnerabilidade social que estão envolvidas.Todos os participantes do projeto recebem suporte social e psicológico do Cras.
Hoje, cerca de 20 cooperados estão ligados diretamente com cooperativa e conseguem atingir uma renda em torno dos R$ 400 mês.
“Além do aspecto social o projeto tem principalmente o papel de colaborar com o ambiente em que vivemos.”Se cada um fizer a sua parte teremos um mundo menos sofrido,com menos poluição,devastação e degradação do meio ambiente.E nossos filhos e netos terão uma vida mais tranqüila,afirma a Coordenadora .
Para colaborar com o Recicras,com doação de materiais,basta entrar em contato no telefone (12) 3152 3304.

Mudanças Climáticas e Economia

Publicado novembro 30, 2008 por edugois
Categorias: Gerais

Por: Elisangela Cavalheiro

Furações e tempestades tiveram uma marca histórica e bateram recordes em 2005.

Eventos extremos como os que tem acontecido em diversos países, tais como ciclones, enchentes, ondas de calor, desertificação do solo, entre outros, têm em comum o lançamento de gases de efeito estufa (metano, carbono e óxido nitroso) na atmosfera.

O resultado dessas emissões excessivas é o aquecimento global. Fenômeno que funciona como um cobertor espesso que deixa o planeta cada vez mais quente e não permite que a radiação solar seja liberada.

No Brasil o aquecimento global é ocasionado em grande parte pelo desmatamento, cerca de 80%, seguido pela queima de combustíveis fósseis como carvão, petróleo e gás natural, que juntos somam 22,5%.

Para o país o grande vilão na queima de combustíveis fósseis é o setor de transporte com mais de 40% das emissões dos gases poluentes. Em seguida vem a indústria com 32%, a energia com 11,1% e por último os resíduos residenciais com 6,6%.

Se sabemos os fatores que originam as mudanças climáticas ao redor da Terra o que podemos fazer para parar ou ao menos minimizar este processo?

As soluções são muitas. Diminuição do desmatamento, uso de energias renováveis, conscientização acerca do uso eficiente da energia e da água, reciclagem, melhoria no transporte público, etc. Ações que em grande escala poderiam apontar um futuro menos desastroso do que as previsões anunciadas.

Entretanto todas as soluções só terão resultado com o respaldo de autoridades tanto governamentais quanto por parte de donos de indústrias do mundo todo.

O Protocolo de Quioto para tentar diminuir os efeitos do lançamento de gases de efeito estufa na atmosfera propôs aos países desenvolvidos – principais responsáveis pela realidade atual – alguns projetos que devem reduzir ao menos 5,2% das emissões mundiais até 2012.

Dentre os projetos encontramos o MDL – Mecanismo de Desenvolvimento Limpo que funciona em conjunto com países que estão em desenvolvimento como o Brasil.

Este projeto consiste na redução de carbono na atmosfera por empresas que posteriormente converterão essa redução em créditos. Estes créditos de carbono são vendidos a países desenvolvidos que têm metas de redução estipuladas pelo Protocolo. Com essa relação surgiu o Mercado de Carbono.

No último mês de setembro, aconteceu o 2º Leilão de Crédito de Carbono de São Paulo que vendeu 713 mil créditos, cada um valendo R$ 51,83 totalizando 37 milhões de reais. Cada crédito corresponde a uma tonelada de gás carbônico não emitida. 

PROJETO PIONEIRO

Na pequena cidade de Tremembé, interior de São Paulo funciona o Aterro Sasa da empresa francesa Veolia Environnement. O aterro que recebe resíduos urbanos e industriais de várias cidades da região utiliza o processo de aproveitamento do biogás com a evaporação do chorume. Neste processo o chorume que é um líquido altamente tóxico resultante do acúmulo de resíduos é enviado a um evaporador. O evaporador utiliza a energia do biogás também produzido pelo acúmulo de lixo. Assim do processo de evaporação ainda sobram o gás carbônico e água, porém o gás metano que é o principal gás do chorume, e é vinte e uma vezes mais poluente que o carbono não é emitido na atmosfera.

Este processo foi inserido entre os projetos de MDL propostos por Quioto. E o Aterro Sasa é considerado pioneiro porque no Brasil foi o primeiro a ter um contrato de créditos de carbono. O Brasil encontra-se atualmente na terceira posição do ranking mundial destes projetos.

As propostas levantadas por Quioto resolvem algumas questões, ainda é preciso maior empenho por parte de empresas e governos, mesmo os que ainda não tem metas como o Brasil, na diminuição da emissão dos gases.  

A nova lei da rádio e a informação local

Publicado novembro 30, 2008 por edugois
Categorias: Gerais

Por: Rafael

 O ministro Augusto Santos Silva anunciou durante o XI Congresso de Radiodifusão algumas das medidas que pretende implementar em sede de revisão da Lei da Rádio.

Julgo que as principais alterações se podem resumir do seguinte modo:

 - Facilitar processos de cooperação entre as rádios

- Abrir caminho a uma maior concentração no sector da radiodifusão local

- Acabar com a obrigação das rádios locais emitirem pelo menos três noticiários diários sobre a sua área de cobertura

- Facilitar a constituição de cadeias de rádio

- Proceder a alterações ao nível das regras para classificação de rádio temática.

 É curioso notar que a tendência seja agora a de facilitar aquilo que em tempos era visto como algo prejudicial para o desenvolvimento da radiodifusão local portuguesa, nomeadamente no que diz respeito à concentração e à existência de cadeias de rádio, dois cenários que sempre foram alvo de medidas legislativas apertadas por se considerar que poderiam pôr em causa os princípios das rádios locais. 

 É certo que aquilo que se lê na comunicação social é muito pouco para se ter uma opinião mais sustentada sobre as propostas para uma nova lei da Rádio, mas há alguns dados que merecem reflexão.

Por exemplo o que significará na prática dizer que “o caminho de desenvolvimento do meio rádio português passa por alguma concentração”?

 Duas outras medidas sugerem-me alguma perplexidade se se tiver em conta que as rádios locais devem servir para a reprodução dos discursos locais (foi para isso que foram criadas, certo?). 

Refiro-me, em concreto, a dois aspectos: o fim da obrigatoriedade de emissão de três noticiários com informação local e a alteração das regras para a definição de rádios temáticas.

Daquilo que conheço, quando as rádios locais não forem obrigadas a fazer noticiários com informação local, simplesmente deixarão de emitir qualquer noticiário. 

Tem razão Eduardo Meditsch quando afirma que as rádios emitem informação actualmente por dois motivos: “força do hábito ou de lei” (Meditsch, 1999:21). 

Não havendo a lei…

É preciso também perceber o que significa dizer que as rádios locais passarão a ser obrigadas apenas a fazer a “cobertura informativa, em moldes que serão estabelecidos pela rádio e cujo cumprimento será fiscalizado pelo regulador.”

Passam a ter que fazer a cobertura jornalística de cerimónias, de grandes acontecimentos locais (normalmente promovidos pelas autarquias)? A ter um programa de informação? Diário? Semanal? Se a informação não for diária, haverá rádio local neste país que queira ter jornalistas nos seus quadros?

 Já quanto às mudanças das regras para a classificação de rádio temática, acredito que quando todas as emissoras puderem ser assim classificadas, a tendência será para optarem pela classificação de temáticas musicais, tal como hoje sucede com aquelas que decidiram especializar-se num tipo de programação. 

Num tal quadro, onde fica a informação local?

Acredito que estas medidas estejam ainda a ser alvo de reflexão por parte dos intervenientes, por isso, é de aguardar por mais desenvolvimentos. De qualquer forma, e num quadro que tende para a uniformização da oferta da rádio em Portugal, a informação, e em particular a local, poderá apresentar-se como um elemento diferenciador, desde que claro, seja feita por jornalistas e não por outras figuras, como o tal “radialista”.

 Já me parece muito positivo que o Governo tenha a intenção de, finalmente, estabelecer níveis que diferenciem as rádios locais. Tratar por igual uma rádio da Grande Lisboa e outra do interior alentejano, por exemplo, parece-me absurdo.

Novas técnicas de limpeza amenizam o problema da sujeira em Aparecida

Publicado novembro 26, 2008 por edugois
Categorias: Gerais

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Por: Lucas Staut

 Muitos romeiros passam por Aparecida e deixam pra trás um grande problema, que é o lixo. Por se tratar de uma grande quantidade, cerca de 16 toneladas em média a cada fim de semana, esquemas especiais de limpeza têm sido montados e o uso de novas técnicas têm sido fundamental. “Temos um caminhão-pipa que possui um sistema de jateamento d’água que faz com que a pressão “varra” o chão, fazendo uma lavagem. Em seguida, o trator puxa a sujeira com o que chamamos de vassourão, agrupando ainda mais o lixo. Aí entra a turma da vassoura, que varre e junta o lixo nos carrinhos e aí esse lixo finalmente é colocado no caminhão coletor. Para se manter limpo um local grande como esse, são necessários 108 homens, divididos em 77 para a limpeza interna e 31 para a externa. Temos ainda como voluntários os Anjos da Limpeza , que ficam ocupados com a reciclagem. A limpeza é feita mesmo por funcionários do Santuário.”, diz o sr. Antonio Francisco, gerente de conservação, responsável pelas limpezas interna e externa do Santuário. “Os lixos recolhidos são os mais variados possíveis, desde palitos de sorvete, sacolas plásticas, garrafas, embalagem de alimentação, fraldas descartáveis, marmitex, sacos com urina, descargas dos sanitários dos ônibus, até paralelepípedos e pedaços de madeira. Enfim, tem de tudo”,complementa Francisco. Outra vantagem do uso dessa técnica é o uso de água, que faz a limpeza da urina, pois muitos que visitam Aparecida urinam no pátio, entre os ônibus. Em contrapartida, gasta-se muita água, cerca de um a três caminhões, dependendo da quantidade de lixo. O santuário possui uma propriedade próxima ao pátio, a fazenda Santana, onde têm duas represas, de onde essa água é retirada. “Boa parte da limpeza é feita à seco”, finaliza Francisco. A assessora de imprensa do Santuário, Flávia Gabriela, afirma que o Santuário Nacional possui uma grande preocupação com a preservação ambiental. “Além de uma estação própria de água que a examina para o acompanhamento de sua potabilidade, existe um projeto de cuidado com as nossas nascentes, onde são plantadas várias mudas de árvore e existe um acompanhamento de toda a situação do perímetro. O santuário atualmente está investindo em uma estação de tratamento de esgoto própria, em fase de construção e que está sendo idealizada por profissionais da USP. Além disso, temos um esquema de coleta seletiva, feito por pessoas que fazem parte de uma cooperativa e é acompanhado por nosso departamento de Segurança do Trabalho e Meio ambiente”, afirma.

 O problema da falta de consciência ambiental é global, e em Aparecida esse problema é um agravante, pois a concentração de pessoas é maior. Passam pelo santuário em médias 250 mil pessoas a cada fim de semana, nos períodos de maior movimento.

 “O que é necessário é a conscientização dos visitantes, pois temos mais de 120 lixeiras espalhadas pelo perímetro”, complementa Flávia. O problema parece mesmo ser cultural, pois apesar do grande movimento de devotos, o santuário conta hoje com 653 vasos sanitários, 328 lavatórios e 141 mictórios espalhados por toda a extensão do santuário. “Estamos construindo mais 274 vasos sanitários, 160 lavatórios e 41 mictórios, que devem ficar prontos até o final desse ano. Teremos no total, 927 vasos sanitários, 488 lavatórios e 186 mictórios, um número considerável e que deve ajudar muito na diminuição desse problema. Essas obras são feitas de acordo com um plano diretor que avalia as necessidades, portanto, vimos que realmente havia a necessidade dessas obras. Esperamos que realmente essas obras venham beneficiar os visitantes, para que se sintam sempre bem acolhidos no Santuário Nacional” explica Flávia. Esse problema do lixo não é recente. Existe há muito tempo e tem tido menores proporções devido à essas atitudes tomadas por pessoas que voluntariamente ou não recolhem o lixo de quem esquece de fazer seu papel de cidadão. Se cada um fizer a sua parte, recolher o seu lixo, viveremos em um mundo melhor. Vivemos em tempos em que se faz necessária a conscientização ambiental. Portanto, faça sua parte!

Resenha

Publicado novembro 26, 2008 por edugois
Categorias: Espaço Literário

Arte e Mídia

Nº de Páginas:84

Autor: Arlindo Machado

Editora: Jorge Zahar

Ano 2007

Por: Lauren Moraes

 Arlindo Machado possui graduação em Letras Português e Russo pela Universidade de São Paulo (1977), mestrado em Comunicação e Semiótica pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (1983) e doutorado em Comunicação e Semiótica pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (1987). Já publicou, certamente, mais de 30 livros, dirigiu curtas metragens e participou de mostras de arte eletrônica no Brasil e exterior. Dentre suas façanhas mais admiráveis, está a fundação, ao lado de Marcelo Masagão e Caio Magri, da chamada Rádio Xilik, uma rádio livre localizada no interior da PUC-SP nos anos 80.  Atualmente é professor doutor da Universidade de São Paulo e professor titular da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Tem experiência nas áreas de Artes e Comunicação, com ênfase em Estética e Linguagem do Vídeo, atuando principalmente nos seguintes temas: artes eletrônicas, arte e tecnologia, vídeo-arte, imagem eletrônica, teoria da comunicação e televisão de qualidade. Seu campo de pesquisas abrange o universo das chamadas imagens técnicas, ou seja, as imagens produzidas através de mediações tecnológicas diversas, tais como a fotografia, o cinema, o vídeo e as atuais mídias digitais.

Quando nos referimos à artemídia, ou mídia-arte, há pelo menos duas concepções diferentes. Uma coisa é pensar na arte dos clássicos renascentistas até os modernos, e o artista como aquele que se apropria de uma tecnologia destinada à produção de mídia que não foi concebida para a produção de arte. Câmeras ou computadores não foram feitos para artistas produzirem arte, eles simplesmente se apropriam dessas máquinas e descobrem nelas possibilidades diferentes. Outra coisa diferente disso é a nossa visão com a mídia, tal como ela foi construída, e entendê-la como expressão da cultura de nosso tempo, como forma de produção de arte. Por exemplo: assistir a um videoclipe transmitido pela MTV e encará-lo como uma forma de produção de arte de nosso tempo. São duas coisas diferentes, em que uma é o artista que vem de fora da mídia e entra na produção – ele se apropria da mídia e faz dela uma utilização diferente do que a mídia normalmente faz. Outra coisa é encarar a mídia e encará-la como forma de produção artística. São duas coisas diferentes, que tanto podem ser complementares como divergentes. Às vezes, uma pessoa pode falar de artemídia e o que ela entende por isso é o que ela vê na mídia.

Com isso Arlindo Machado em seu livro Arte e Mídia busca esclarecer a inserção desse novo conceito de arte na vida atual. Já na parte introdutória encontramos um significado para o vocábulo “artemídia”, que está sendo usado nos últimos anos para designar formas de expressão artística que se apropriam de recursos tecnológicos das mídias e da indústria do entretenimento em geral, ou intervêm em seus canais de difusão para propor alternativas qualitativas.

O primeiro capitulo, Arte e mídia: aproximações e distinções, apresenta a arte produzida com os meios de seu tempo e mostra, portanto, que as artes midiáticas representam a expressão mais avançada da criação artística atual, é aquela que melhor exprime sensibilidades do homem do inicio do terceiro milênio. Os profissionais da área devem ultrapassar os limites das máquinas semióticas e reinventar radicalmente os seus programas e suas finalidades. Um verdadeiro criador em vez de simplesmente submeter-se às determinações do aparato técnico, tem que manejá-lo no sentido contrário ao de sua produtividade programada.

A artemídia, como qualquer área fortemente determinada pela mediação técnica, coloca o artista diante do desafio permanente de, ao mesmo tempo em que se abre às formas de produzir do presente, contrapor-se também ao determinismo tecnológico, recusar o projeto industrial já embutido nas máquinas e aparelhos, evitando assim que sua obra resulte simplesmente numa aprovação dos objetivos de produtividade da sociedade tecnológica. O artista busca se apropriar das tecnologias mecânicas, audiovisuais, eletrônicas e digitais numa perspectiva inovadora, fazendo-as trabalhar em benefício de suas idéias estéticas.

Pode-se dizer que a artemídia representa hoje a metalinguagem da sociedade mediáticas, na medida em que possibilita praticar, no interior da própria mídia de seus derivados institucionais, alternativas criticas aos modelos atuais de normatização e controle da sociedade.

Em nosso tempo, a mídia está permanentemente presente ao redor do artista, despejando seu fluxo contínuo de sedução audiovisual, convidando ao gozo do consumo universal e chamando para assim o peso das decisões no plano político. É difícil imaginar que um artista sintonizado com seu tempo não se sinta forçado a se posicionar com relação a isso tudo e a se perguntar que papel significante a arte pode ainda desempenhar nesse contexto.

Talvez possamos com proveito aplicar à arte produzida na era das mídias o mesmo raciocínio que Walter Benjamim aplicou à fotográfica e ao cinema: o problema não é saber se ainda cabe considerarmos “artísticos” objetos e eventos tais como programas de televisão, uma historia em quadrinhos ou um show de uma banda de rock.

O público dessa nova arte é cada vez mais heterogêneos, não necessariamente especializados e nem sempre se dão conta de que o que estão vivenciando é uma experiência estética. À medida que a arte migra do espaço privado, passa a ser fruída por massas imensas e difíceis de caracterizar muda de estatuto e alcance, configurando novas e estimulantes possibilidades de inserção social.

Cabe aos profissionais da área decidirem se querem aderir a esse novo modelo de arte. O que ocasiona duas correntes de artistas; aqueles que se apropriam de todas essas conquistas tecnológicas, mas continuam dentro do circuito clássico de arte, ou seja, continuam utilizando os serviços de museus, galerias, e continuam pertencendo a um universo que tradicionalmente nós delimitamos para a difusão da arte. E aqueles que se inserem por um completo na produção midiática, não fazem mais nada em galeria e vão para a televisão, Internet, ou seja, vão trabalhar em uma outra dimensão, atingindo dessa forma um outro tipo de público, que não é o público tradicional da cultura artística.

Na segunda parte, Tecnologia e arte: como politizar o debate, a grande presença dos computadores à nossa volta, o estabelecimento da internet, os avanços da biotecnologia, as inovações tecnológicas. À medida que o mundo natural, tal como o conhecer as gerações de outros séculos, vai sendo substituído pela tecnosfera – a natureza criada ou modificada pela ciência-, novas realidades se impõem.

 As novas tecnologias, associadas ao projeto de globalização, adentraram os espaços do planeta e vêem interferindo na vida de todos os povos até mesmo os mais isolados. Mas essas novas tecnologias não promoveram um avanço democratizante, universalizando as riquezas produzidas, gerando o crescimento material e cultural de todo planeta. A grande aceleração tecnológica modificou o ritmo de nossas vidas, exigindo atualizações cada vez mais rápidas, além de proverem um risco ao ambiente em que vivemos.

Há um predomínio no universo das artes eletrônicas ou das poéticas tecnológicas, um discurso legitimador, alheio aos riscos que a adoção de uma estratégia de aceleração tecnológica comporta. Para Martin Barbero a tecnologia foi se convertendo em um novo campo de utopias, que doutrinas mais variadas vislumbraram nas maquinas e nos algoritmos perspectivas de emancipação, progresso e felicidade coletiva que antes estavam circunscritas no discurso político.

O inglês Roy Ascott, afirma que a internet está produzindo uma “consciência planetária”, em que o navegante da rede não é mais um mero espectador passivo, ao contrário, ele se multiplica pelos nós da rede e se distribui por toda parte criando assim uma espécie de consciência coletiva.

Nos últimos anos, temos visto multiplicarem-se em todo mundo, os festivais e mostras dedicados a experiências de inserção da arte com a tecnologia e a ciência. Cada vez mais, artistas lançam mão do computador para construir suas imagens, músicas; o vídeo é agora uma presença quase inevitável em qualquer instalação.

Com o boom das tecnologias eletrônicas, a arte parece ter se reduzido ao uma espécie de perícia profissional, à medida que a habilidade técnica foi tomando o lugar das atitudes mais radicais.

 Essa visão é simplista, pois a arte sem o aparato técnico não sendo reduzida, mas sim se tornando “rara” e evoluindo de alguma forma. Um bom exemplo é a fotografia, uma vez que em tempos passados não era possível modificar o seu aspecto. E hoje, com a adesão do computador e de programas especializados como o Photoshop, podemos fazer mudanças radicais.

 Essa inovação, porém, apresenta dois lados, o positivo de se poder adaptar a foto ao seu gosto, e o negativo, em que pode ocorrer a falsificação e dessa forma mudar o contexto da foto.

Por isso é importante a discussão apresentada na ultima parte do livro, Convergência e divergência das artes e dos meios. Já que vem debater se é vantajoso haver a convergência ou não dos campos.

Se imaginarmos cada campo – fotografia, cinema e música – como um círculo, eles iriam se interagir e com o passar dos anos se aclopariam uns aos outros. Já para McLuhan que era capaz de pensar os meios como um todo, tomava-os, todavia, como separados. Cada meio para ele era extensão de um dos nossos sentidos ou aptidões.

No campo da comunicação, chega um momento em que a divergência entre os meios torna-se improdutiva, limitativa e beligerante, deixando claro, pelo menos ao certo de vanguarda, que a melhor alternativa pode estar na convergência.

As imagens agora são mestiças, ou seja, são compostas de fontes as mais diversas – parte é fotografia, parte é desenho, parte é vídeo e outros. Cada plano é agora um híbrido, em que já não se pode determinar a natureza de cada um de seus elementos constitutivos, tamanha é a mistura, a sobreposição, o empilhamento de procedimentos diversos, sejam eles antigos ou modernos, sofisticados ou elementares, tecnológicos ou artesanais.

Essa ocorrência é uma realidade que está presente cada vez mais nos atuais, visto que é natural essa convergência dos campos. Sabe-se que o cinema deriva da fotografia por essa razão a união é inevitável.

A obra trata da grande globalização que a arte está sofrendo com o passar dos anos, uma vez que o surgimento de novas tecnologias ocorre em demasia e está sendo acoplada a ela. Por se tratar de um assunto atual, não é necessário grande conhecimento sobre o assunto, porém, como já citado existem hoje conferências e mostras para divulgar esse novo ramo da arte.

 Muitos são os estudos que estão seguindo esse mesmo pensamento e fazendo estudos sobre o contexto em que a arte e a mídia estão inseridas. Um exemplo disso é a Mostra de Vídeo Português, criada em 1994 com a necessidade de abertura ao nível da divulgação do audiovisual português. Com a explosão da utilização do suporte vídeo na ficção, bem como com o aumento substancial da produção documental em Portugal, a Videoteca criou espaços específicos para estes trabalhos. Fala-se do Panorama (Mostra do Documentário Português) e da Mostra de Curtas (que abriu a sua programação às curtas de ficção produzidas em vídeo em 2005). Estes eventos específicos permitiram então à Mostra de Vídeo a sua própria especificidade, libertando-a da responsabilidade de representar um local onde simplesmente se podia ver o que não passava em mais lado nenhum.

Em contraposição a esse novo empreendimento, temos como exemplo o leilão de obras de artes realizados em Nova York. Uma coleção de obras de arte do século XX alcançou preços recordes no leilão da Christies, em Nova York. A tela de Miró “Portrait de Madame K” alcançou um valor estimado de US$ 12 milhões 650 mil, quase o dobro do preço base.

Outra peça que fez sucesso foi o quadro “Tete de Femme”, de Picasso, vendida por quase US$ 5 milhões. Parte da renda vai beneficiar um fundo da ONU para crianças. Isso nos revela que mesmo com essa inovação, as pessoas não esquecem das outras obras, àquelas feitas apenas com tela, pincel e tinta. Aliás, pagam caro para tê-las.

O autor, Arlindo Machado, não faz uma conclusão clara, visto que sempre aponta os aspectos da tecnologia em relação à arte nos dias de hoje. Não deixa claro seu ponto de vista, sempre mostrando as vantagens e desvantagens da artemídia. Suas opiniões são apresentadas ao longo do livro e não ao final de cada capítulo. Com uma linguagem correta e de fácil entendimento, o estilo dado ao livro é objetivo e preciso. Há um equilíbrio na disposição dos capítulos de forma lógica e é dirigido a especialistas da área e estudantes do ramo.

Mas a idéia de que se possa fazer arte nas mídias ou com as mídias é uma discussão que está longe de ser matéria de consenso. De uma forma geral, os intelectuais de formação tradicional resistem à tentação de vislumbrar um alcance estético em produtos de massa, fabricados em escala industrial. No seu modo de entender, a boa, profunda e densa tradição cultural, lentamente filtrada ao longo dos séculos por uma avaliação crítica competente, não pode ter nada em comum com a superficial e descartável produção em série de objetos comerciais de nossa época. Já os defensores da artemídia costumam ser menos centrados e mais espertos. Para eles a idéia de que a demanda comercial e o contexto industrial não descridibiliza a criação artística, a menos que identifiquemos a arte com o artesanato ou com a aura do objeto único. No entender destes últimos, a arte de cada época é feita não apenas com os meios, os recursos e as demandas dessa época, mas também no interior dos modelos econômicos e institucionais nela vigentes, mesmo quando essa arte é francamente contestatória em relação a eles.

Muito embora ocorra uma grande contribuição para os estudos dessa área, o livro não é de um linguajar cativante e não consegue prender a atenção do leitor no caso de estudantes e outros, mesmo se tratando de um assunto polêmico e inovador: a influência da tecnologia na arte.

Vida em República

Publicado novembro 26, 2008 por edugois
Categorias: Gerais

Por: Elaine Santos

 Água, luz, telefone, aluguel, transporte, alimentação, festas, internet, cerveja, pessoas desconhecidas, culturas diferentes e algumas manias estranhas, essa é a vida em república, longe de casa, dos amigos, da família.

De repente, a pessoa passa de um mero estudante a universitário, deixa para trás todo o conforto da casa dos pais e vai morar em uma cidade distante, onde tudo é novo. Antes escola do ensino médio, agora, faculdade, o recreio virou intervalo e a famosa recuperação tornou-se DP, eis que o universitário agora tem que escolher em qual república vai morar, quem serão seus novos amigos e como se virar sozinho dividindo o tempo entre estudos, contas e muitas festas.

 Estudar fora nem sempre é uma tarefa fácil. Além dos custos da república, o estranho também assusta. “No começo é gostoso toda essa diferença, depois passa a te incomodar até que você se adapta e aprende a conviver com o desconhecido, a respeitar opiniões”, diz a universitária de Andradina/SP, Flavia Paulino Venturelli, 22 anos, aluna do 5º ano de Engenharia Química da EEL-USP (Escola de Engenharia Química de Lorena).

Nem tudo é só festa, algumas pessoas não conseguem adaptar ao novo ambiente, aos novos colegas e desistem. “No começo é você por você mesmo”, afirma o universitário de Itapira/SP, José Hermínio Luppe, 20 anos, aluno do 3º ano de Direito da Unisal, que divide a república K-ipira com mais 5 pessoas.

Há quem prefira morar sozinho, por questão de privacidade, como é o caso do universitário de Marília/SP, Fernando Maia Gradim, 22 anos, aluno do 5º ano de Engenharia Química da EEL-USP.  “Morando sozinho você tem sua liberdade, mas você fica acomodado, tornando uma pessoa individualista e começa a inibir os relacionamentos”, admite o estudante se referindo ao lado ruim de não dividir a casa com ninguém.

Morar sozinho, maior privacidade e também maiores gastos. As despesas ficam por conta dos pais que gastam em torno de R$ 800,00, sem contar Internet, balada, empregada. Os custos de uma república podem variar entre R$ 400,00 e R$ 2000,00 reais por mês, dependendo da situação financeira de cada um.

Alguns estudantes realizam estágio remunerado e com isso ajudam os pais na hora de pagar as despesas.

 Pensando no custo de vida alto para estudar longe de casa, alguns restaurantes e lanchonetes da cidade de Lorena, oferecem um desconto de 15% aos universitários. Ainda assim, fica mais barato comer na república.

As imobiliárias da cidade com o intuito de facilitar a vida dos estudantes, ao emitir o contrato aceitam que o fiador seja de outra cidade, possibilitando que os próprios pais o façam. 

As repúblicas têm uma vez por semana alguém que faça a faxina da casa, o que não exime os estudantes de suas obrigações. Existe um cronograma que fica fixado em um quadro próprio  ou na porta da geladeira, onde diz o que e quem fará determinada tarefa e em qual dia. “Cada um é responsável por uma atividade, tudo é dividido”, diz o universitário de Barretos/SP, Guilherme Gonçalves Motta, 22 anos, aluno do 5º ano de Engenharia Química da EEL-USP.

A vida em república ensina os universitários a cozinhar, lavar e passar, já arrumar, é um quesito do qual eles não dão muita importância. 

 Família 

Distante dos pais, os universitários encontram nos amigos o apoio para suprir a saudade da família. “Todos vivemos a mesma situação de carência. Aqui é um precisando do outro e os amigos acabam se tornando nossa segunda família”, afirma o universitário Fernando Gradim.

“Esses anos longe de casa, vivendo em república, ajuda a dar mais valor nos momentos em família”, diz o estudante de Itajubá/MG, Leonardo da Cruz Souza, 20 anos, aluno do 2º ano de Jornalismo da Fatea.

 Curiosidades

Uma república esconde várias surpresas. É comum encontrar uma parede de assinaturas, onde todos que passarem por lá tem que registrar a sua visita. Dentre as curiosidades até unha encravada ganha festa de aniversário, com direito a bolo e velinha, já que tudo é motivo para festa entre os universitários. O mais inusitado é o bicho de estimação, Stuart, o “pequeno” ratinho que morreu após comer a piscina de plástico, que alegrou os dias dos estudantes durante quase 1 ano.

Criatividade

Universitário é sinônimo de criatividade. Tendo que se virar sozinho, eles inventam as coisas mais “bizarras” possíveis.  É engano pensar que garrafa térmica não tem função na república, ela pode servir de base para o Narguilé ou arguile. Para os criativos universitários até geladeira vira freezer, deitada, sem motor e sem as prateleiras, ela serve para conservar gelada a cerveja durante uma festa na rua e o churrasco, pode ser improvisado em um carrinho de supermercado.

 Balada

Onde tem universitário há muita diversão. Finais de semana que começam na quinta-feira, muitas festas e lógico, balada. Em vários ambientes podemos encontra-los, como Cervejaria do Gordo (Guará), Refúgio (perto da Fatea), Castelinho (perto da Unisal), Giga Bar (Lorena), Manguetown (Lorena), Clube Comercial de Lorena, Casa da Sogra (guará) e não pode faltar as festas nas próprias repúblicas, onde os estudantes se reúnem todo fim de semana, em especial, a República K-ipira, o point de vários universitários da EEL-USP, Unisal, Fatea e Unesp. 

O que tem em uma república?

“Tem um monte de coisa que não serve para nada e o que precisa não tem”, diz o universitário de 22 anos, Danilo Vieira Sampaio, estudante do 2º ano de Engenharia Civil da Unesp de Guaratinguetá. É comum encontrar placas do tipo, “vende-se”, “aluga-se”, sinais de trânsito, cartazes de cervejas nas paredes, cones, cavaletes, um monte de coisas sem finalidade específica.  


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