Ciladas do copo

Publicado novembro 30, 2008 por edugois
Categorias: Gerais

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O álcool modifica as reações cerebrais.Entender essa mecânica é o primeiro passo para findar este malefício.

Por: Eduardo Gois e Karina Pontarolo

 

Os alcoólatras sabem como é difícil suportar o famoso” golinho” na roda de amigos.Por esse motivo é que diversos estudos na área de medicina vem acontecendo,não só para entender este tipo de problema, mas também para ajudar às pessoas que sofrem por não conseguirem ser mais fortes do que a bebida. 

Todos os depoimentos de personagens a seguir são pseudônimos:

Para José, recaídas já fazem parte do cotidiano. Após três tentativas frustradas de parar com a bebida, ele se sente entregue e sem forças para vencer o vício.

Segundo artigo da revista Mente e Cérebro, publicado em 2006 esse fenômeno é denominado de “desejo condicionado” o indivíduo pode se habituar a beber na mesma hora, local e com as mesmas pessoas tornando a ação praticamente um ritual. Mesmo depois de muito tempo com o controle da situação uma recaída de leve pode ser o suficiente para reverter todo o processo.

O caso de Dirceu mostra outro ângulo da tentação à bebida.Ele não colocava um gota de álcool há sete anos na boca.Mas ao participar de um encontro religioso se sentiu muito abalado emocionalmente e quando menos espera teve um ataque de convulsões ,vômito e suor.O que ele queria mesmo naquele momento era virar uma garrafa inteira goela à baixo.Quando parou de beber Dirceu substituiu o vício da bebida pelo cigarro.No local onde ele se encontrava não tinha como saciar o desejo com nenhuma das duas opções.

O que aconteceu com Dirceu é o que os cientistas chamam de “abstinência condicionada. Este fenômeno químico pode acontecer quando o indivíduo está abalado psiquicamente, mesmo após longos períodos sem o consumo de álcool.

Durante muito tempo os alcoólatras foram taxados de fracos,e sem iniciativa para largar o vício.Sabe-se que largar a bebida por si não é tarefa fácil.E  independente de querer ou não, cada indivíduo tem uma assimilação biológica diferente com relação a dependência química.

Em artigos publicados, o psiquiatra e especialista no assunto, Andreas Heinz,revela que a sensibilidade individual aos efeitos do álcool nos neurônios influência significativamente a chance da pessoa torna-se viciado.

Genética e as respostas do Álcool no Organismo

Fonte: Revista Super Interessante Ano 14, n.2 – fev. 2000.

“Pesquisa realizada na Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, iniciada em 1978,mostra que os filhos de alcoólatras são os mais fortes candidatos ao alcoolismo. A herança genética é determinante também à alta resistência ao álcool, suportando-o melhor.

Só 5% dos descendentes de não-alcoólatras têm alta resistência ao álcool. Já quando um dos pais é alcoólatra, o número de resistentes sobe para 40%”.

Isso significa que não só a tendência ao vício, mas os tipos de reação ao álcool,podem estar inscritos no DNA.

A pesquisa mostra que indivíduos capazes de ingerir grandes quantidades de bebidas alcoólicas e estarem “bem” no dia seguinte são justamente os que correm mais risco de se tornarem dependentes. Descobriu-se também que os mais resistentes costumam ser filhos de alcoólatras.

Estatísticas do governo americano apontam que 8% da população dos Estados Unidos é vítima do alcoolismo. Entre filhos de alcoólatra, o número sobe para 40%. Quando pai e mãe são dependentes, a porcentagem vai para 60.”

Apesar de parecer ser tão difícil se livrar do álcool , para o psicanalista,Wagner Paulon diz ser uma doença totalmente curável:

“O alcoolismo é doença crônica, psíquica, somática ou psicossomática, que se manifesta como um distúrbio da conduta perfeitamente tratável.”

A verdade é que não existe uma fórmula mágica para o fim do alcoolismo.O que se aconselha é que para todos aqueles que tem casos de alcoólicos na família ou de amigos.O ideal é o acompanhamento e apoio.Ninguém vive sozinho o alcoólatra não precisa de julgamentos e sim de pessoas que sejam a mão que ampara e sustenta,com conselhos e orientações.

Procurar um grupo de AA – Alcoólicos Anônimos é o primeiro passo.

Vale Conferir :

Heinz,Andreas,Revista Mente e Cérebro Junho de 2006.

Revista Super Interessante Ano 14, n.2 – fev. 2000. 

Eles gastam mais do que ganham.

Publicado novembro 30, 2008 por edugois
Categorias: Gerais

Jovens até 30 anos são as maiores vítimas do crédito

Eduardo Góis

Depois de algumas tentativas, o jovem Pablo Soares de 21 anos conseguiu entrar para faculdade de rádio e TV e está cursando o segundo ano.Como resultado é a realização de um sonho que se completa a cada dia.Mas nem tudo são flores.

O jovem faz parte dos 39 % ,da fatia dos jovens entre 21 e 30 anos, no universo dos inadimplentes, que cresce de forma assustadora.Arcar com as despesas dos estudos e outras compras não é tarefa fácil, segundo a empresa Telecheque, 10% deles têm até 20 anos

Para conseguir se sustentar na faculdade ,o estudante tem que fazer uma jornada dupla de trabalho,em uma rádio da cidade e na assessoria de imprensa da prefeitura.Mesmo assim ainda não é o suficiente.

“Não é fácil,tenho uma carga horária pesada,hoje eu tenho 50% de desconto na mensalidade pelo estágio na rádio e para pagar o restante, trabalho na assessoria,mesmo assim ainda não ganho o necessário para honrar todas as despesas.”, afirma Pablo.

Caso parecido foi o do estudante de direito,Jeferson Santos ,mas o problema dele, não foram os compromissos com a faculdade e sim com os cartões de crédito.

O banco o qual ,o jovem era cliente ofereceu dois ótimos cartões de crédito com limites a perder de vista,senha para sacar dinheiro extra no caixa eletrônico, e ainda um belo cheque especial.A conseqüência de tantos serviços prestados pelo banco e usufruídos por Jeferson, foi ter seu nome bem estampado no Serviço de Proteção ao crédito – (SPC) e no Serasa.

“Eu perdi o controle , não tinha dinheiro pra pagar e quando eu conseguia pagava somente a parcela mínima”,diz Jeferson.

Em entrevista ao site da Faculdade Universia, o psicoterapeuta do Departamento de Psicologia da PUC-Campinas (Pontifícia Universidade Católica de Campinas) Hipólito Carretoni Filho,disse que, este comportamento de consumo não se reflete apenas nas compras, mas no modo como os jovens encaram a vida hoje. Muitas vezes atraídos por circunstâncias que agradam a curto prazo.

Soares e Jeferson,fazem parte de um grupo cada vez mais comum na família brasileira contemporânea. São os jovens endividados. Além de adiar a saída de casa,esses que na maioria são estudantes, não conseguem ajudar nas despesas familiares, nem tampouco pagar as próprias contas. Pior: gastam mais do que devem e acumulam dívidas. Muitos estão simplesmente falidos e entraram na lista negra das entidades de proteção ao crédito.

O terapeuta financeiro e economista Reinaldo Domingos, explica que para conseguir pagar todas as dívidas e manter-se em dia com as contas é necessário fazer um planejamento.

“Para conseguir realizar os sonhos o jovem,ou qualquer pessoa tem que estar sadio financeiramente.Traçar planos,metas e objetivos é o primeiro passo”,ressalta Domingos.

De acordo com o economista comprar à vista e fugir dos cartões de crédito é sempre a melhor opção.

 

Atividades educacionais atendem cerca de 400 pessoas em Lorena

Publicado novembro 30, 2008 por edugois
Categorias: Gerais

 

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Por : Eduardo Gois

 Desde 2004 o antigo “Oratório Santa Teresa”, transformou-se no Cemari – Centro Social Educacional Maria Rita Périllier, que hoje desenvolve ações com crianças, jovens, e adultos em várias oficinas de capacitação para o trabalho como: panificação, cabeleireiro, manicure, entre outros, que garantem o desenvolvimento físico, psicológico, cultural e social para cerca de 400 pessoas.

Segundo a Assistente Social Responsável pelo projeto Zelia Pozzatti,o projeto atende essencialmente o público pertencente às famílias com situação de risco social, desenvolvendo trabalhos e projetos educacionais, baseados na filosofia salesiana de Dom Bosco e Madre Mazzarelo.

Com o objetivo de fortalecer as relações pessoais, familiares e sociais com os usuários, o CEMARI, conta também com projetos como: Brincando e aprendendo, Projovem em parceria com a Prefeitura da Cidade e ainda cursos de iniciação em informática. 

“Buscamos ações que minimizem os altos índices de violência, envolvimento com drogas, evasão escolar, desestruturação familiar e falta de perspectiva de vida” ,afirma a Assistente Social.

O Centro Social está localizado na Rua Joaquim Azevedo Figueira, Nº 179, no bairro Vila Celeste .Mais informações no telefone: (12) 3157  4960

Período de Chuvas é propício para multiplicação de caramujos

Publicado novembro 30, 2008 por edugois
Categorias: Gerais

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Por: Eduardo Gois

No bairro Nova Lorena os moradores sofrem.O motivo é a proliferação do molusco Achatina Fulica,conhecido popularmente como Caramujo africano.Com o período de chuvas,além do estrago ambiental,começa também o aparecimento em localidades residenciais.Eles ficam nos quintais das casas.Preocupação para a dona de casa,Maria Auxiliadora da Silva.Todos os dias ela encontra alguns no seu quintal. Na região circunvizinha ao CSU- Centro Social Urbano, não é difícil encontrar caramujos,pois existe uma área verde próximo às residências.O que facilita a reprodução devido a umidade do solo dos terrenos baldios esta época do ano,além de favorecer à alimentação desses animais que são herbívoros. A diarista Ana Paula dos Santos moradora da localidade há 3 anos, disse que ultimamente se previne porque assistiu na TV que jogar uma solução de sabão em pó e sal no muro evita que eles subam parede à cima. Esta espécie foi trazida na década de 80 do continente africano para o Brasil, para fins comerciais de alimentação na intenção de ser uma alternativa mais barata para substituir o escargot,porém o produto não foi aceito pelo mercado e terminaram sendo soltos na natureza.Como no nosso país não existe predador natural a multiplicação aconteceu de forma muito rápida se espalhando por todos os Estados brasileiros e o que era pra ser um negócio rentável virou praga. Á Secretária Municipal de Meio Ambiente,Bárbara Sparenberj Juliano Nunes,alerta que um único caramujo desova uma média de 400 ovos por mês,tal reprodução gera necessidade de um controle contínuo, desenvolvido em conjunto com a Secretaria Municipal de Saúde. Atualmente à Prefeitura faz um trabalho de prevenção através de uma cartilha,onde mostra que entre os principais cuidados para prevenir doenças transmitidas pelo caracol,como meningite e apendicite aguda,estão fundamentalmente na incineração dos moluscos e o manuseio adequado com proteção de luvas ou sacos plásticos. A Secretária esclarece que “Eles devem ser postos em sacos plásticos e queimados, em seguida deve ser aberta uma vala de pelo menos 80 cm de profundidade e atirado cal para facilitar a decomposição das cinzas”.recomenda Bárbara. De Acordo com a Secretaria de Meio ambiente, o controle é feito efetivamente pela vigilância sanitária que é subordinada à Secretaria de Saúde,sendo que existe o apoio e ajuda de pessoal da Secretaria de Meio Ambiente nas coletas.E ainda lembra que somente o caramujo contaminado pode transmitir doenças. A população pode pedir ajuda ou solicitar os folhetos explicativos através do telefone da Vigilância Sanitária 3159 3300. Segundo informações da Secretaria de Meio Ambiente, Em Lorena o combate controlou a situação há algum tempo e também nunca foi registrado,nenhum caso de contaminação,isto significa que não há indícios de que estão infectados. Apesar de confirmado o controle, através da Secretaria de Meio Ambiente à Vigilância Sanitária não quis se manifestar sobre o assunto.

Projeto de geração de renda e sustentabilidade completa dois anos

Publicado novembro 30, 2008 por edugois
Categorias: Gerais

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Coleta seletiva de materiais produz 40 toneladas mês em Lorena

Por : Eduardo Gois

Depois de muita luta,esforço e três anos sem emprego, a catadora de material reciclável,Rosa Marlene Lopes,38 anos, mãe solteira de sete filhos,conseguiu realizar alguns desejos de consumo,como comprar móveis e eletrodomésticos.Isso só foi possível graças ao trabalho que ela está realizando no Recicras, que é um projeto de reciclagem de lixo que tem como objetivo gerar renda às famílias em situação de vulnerabilidade social e que hoje atende cerca de 40 famílias em Lorena,além de colaborar com o meio ambiente,na organização e limpeza da cidade.
O projeto funciona há dois anos,e às famílias que se beneficiam são rastreadas por uma equipe de Assistentes Sociais e psicólogas.Após o rastreamento, uma vez identificado o perfil de risco social,os atendidos pelo CRAS são encaminhados ao início das atividades de coleta de materiais.
A iniciativa é amparada pela unidade número dois do CRAS – Centro de Referência de Assistência Social que fica localizada no Bairro Santo Antônio em Lorena.
“Hoje coletamos aproximadamente 40 toneladas de materiais por mês, são mais de 18 mil reais em média que iriam direto para o lixão de Cachoeira Paulista,poluir o meio ambiente.Mas que agora geram renda e alimentam mais de 200 pessoas”,diz a coordenadora da segunda unidade do CRAS,Elaine Lopes de Oliveira.
No início das atividades em 2006 a produção era menor que 20 toneladas por mês o que caracteriza um aumento de mais de 100% em produção e atendimento às famílias.
A principal proposta do projeto, além de colaborar com os meios sustentáveis é proporcionar uma condição de trabalho digna para as famílias em situação de vulnerabilidade social que estão envolvidas.Todos os participantes do projeto recebem suporte social e psicológico do Cras.
Hoje, cerca de 20 cooperados estão ligados diretamente com cooperativa e conseguem atingir uma renda em torno dos R$ 400 mês.
“Além do aspecto social o projeto tem principalmente o papel de colaborar com o ambiente em que vivemos.”Se cada um fizer a sua parte teremos um mundo menos sofrido,com menos poluição,devastação e degradação do meio ambiente.E nossos filhos e netos terão uma vida mais tranqüila,afirma a Coordenadora .
Para colaborar com o Recicras,com doação de materiais,basta entrar em contato no telefone (12) 3152 3304.

Mudanças Climáticas e Economia

Publicado novembro 30, 2008 por edugois
Categorias: Gerais

Por: Elisangela Cavalheiro

Furações e tempestades tiveram uma marca histórica e bateram recordes em 2005.

Eventos extremos como os que tem acontecido em diversos países, tais como ciclones, enchentes, ondas de calor, desertificação do solo, entre outros, têm em comum o lançamento de gases de efeito estufa (metano, carbono e óxido nitroso) na atmosfera.

O resultado dessas emissões excessivas é o aquecimento global. Fenômeno que funciona como um cobertor espesso que deixa o planeta cada vez mais quente e não permite que a radiação solar seja liberada.

No Brasil o aquecimento global é ocasionado em grande parte pelo desmatamento, cerca de 80%, seguido pela queima de combustíveis fósseis como carvão, petróleo e gás natural, que juntos somam 22,5%.

Para o país o grande vilão na queima de combustíveis fósseis é o setor de transporte com mais de 40% das emissões dos gases poluentes. Em seguida vem a indústria com 32%, a energia com 11,1% e por último os resíduos residenciais com 6,6%.

Se sabemos os fatores que originam as mudanças climáticas ao redor da Terra o que podemos fazer para parar ou ao menos minimizar este processo?

As soluções são muitas. Diminuição do desmatamento, uso de energias renováveis, conscientização acerca do uso eficiente da energia e da água, reciclagem, melhoria no transporte público, etc. Ações que em grande escala poderiam apontar um futuro menos desastroso do que as previsões anunciadas.

Entretanto todas as soluções só terão resultado com o respaldo de autoridades tanto governamentais quanto por parte de donos de indústrias do mundo todo.

O Protocolo de Quioto para tentar diminuir os efeitos do lançamento de gases de efeito estufa na atmosfera propôs aos países desenvolvidos – principais responsáveis pela realidade atual – alguns projetos que devem reduzir ao menos 5,2% das emissões mundiais até 2012.

Dentre os projetos encontramos o MDL – Mecanismo de Desenvolvimento Limpo que funciona em conjunto com países que estão em desenvolvimento como o Brasil.

Este projeto consiste na redução de carbono na atmosfera por empresas que posteriormente converterão essa redução em créditos. Estes créditos de carbono são vendidos a países desenvolvidos que têm metas de redução estipuladas pelo Protocolo. Com essa relação surgiu o Mercado de Carbono.

No último mês de setembro, aconteceu o 2º Leilão de Crédito de Carbono de São Paulo que vendeu 713 mil créditos, cada um valendo R$ 51,83 totalizando 37 milhões de reais. Cada crédito corresponde a uma tonelada de gás carbônico não emitida. 

PROJETO PIONEIRO

Na pequena cidade de Tremembé, interior de São Paulo funciona o Aterro Sasa da empresa francesa Veolia Environnement. O aterro que recebe resíduos urbanos e industriais de várias cidades da região utiliza o processo de aproveitamento do biogás com a evaporação do chorume. Neste processo o chorume que é um líquido altamente tóxico resultante do acúmulo de resíduos é enviado a um evaporador. O evaporador utiliza a energia do biogás também produzido pelo acúmulo de lixo. Assim do processo de evaporação ainda sobram o gás carbônico e água, porém o gás metano que é o principal gás do chorume, e é vinte e uma vezes mais poluente que o carbono não é emitido na atmosfera.

Este processo foi inserido entre os projetos de MDL propostos por Quioto. E o Aterro Sasa é considerado pioneiro porque no Brasil foi o primeiro a ter um contrato de créditos de carbono. O Brasil encontra-se atualmente na terceira posição do ranking mundial destes projetos.

As propostas levantadas por Quioto resolvem algumas questões, ainda é preciso maior empenho por parte de empresas e governos, mesmo os que ainda não tem metas como o Brasil, na diminuição da emissão dos gases.  

A nova lei da rádio e a informação local

Publicado novembro 30, 2008 por edugois
Categorias: Gerais

Por: Rafael

 O ministro Augusto Santos Silva anunciou durante o XI Congresso de Radiodifusão algumas das medidas que pretende implementar em sede de revisão da Lei da Rádio.

Julgo que as principais alterações se podem resumir do seguinte modo:

 – Facilitar processos de cooperação entre as rádios

– Abrir caminho a uma maior concentração no sector da radiodifusão local

– Acabar com a obrigação das rádios locais emitirem pelo menos três noticiários diários sobre a sua área de cobertura

– Facilitar a constituição de cadeias de rádio

– Proceder a alterações ao nível das regras para classificação de rádio temática.

 É curioso notar que a tendência seja agora a de facilitar aquilo que em tempos era visto como algo prejudicial para o desenvolvimento da radiodifusão local portuguesa, nomeadamente no que diz respeito à concentração e à existência de cadeias de rádio, dois cenários que sempre foram alvo de medidas legislativas apertadas por se considerar que poderiam pôr em causa os princípios das rádios locais. 

 É certo que aquilo que se lê na comunicação social é muito pouco para se ter uma opinião mais sustentada sobre as propostas para uma nova lei da Rádio, mas há alguns dados que merecem reflexão.

Por exemplo o que significará na prática dizer que “o caminho de desenvolvimento do meio rádio português passa por alguma concentração”?

 Duas outras medidas sugerem-me alguma perplexidade se se tiver em conta que as rádios locais devem servir para a reprodução dos discursos locais (foi para isso que foram criadas, certo?). 

Refiro-me, em concreto, a dois aspectos: o fim da obrigatoriedade de emissão de três noticiários com informação local e a alteração das regras para a definição de rádios temáticas.

Daquilo que conheço, quando as rádios locais não forem obrigadas a fazer noticiários com informação local, simplesmente deixarão de emitir qualquer noticiário. 

Tem razão Eduardo Meditsch quando afirma que as rádios emitem informação actualmente por dois motivos: “força do hábito ou de lei” (Meditsch, 1999:21). 

Não havendo a lei…

É preciso também perceber o que significa dizer que as rádios locais passarão a ser obrigadas apenas a fazer a “cobertura informativa, em moldes que serão estabelecidos pela rádio e cujo cumprimento será fiscalizado pelo regulador.”

Passam a ter que fazer a cobertura jornalística de cerimónias, de grandes acontecimentos locais (normalmente promovidos pelas autarquias)? A ter um programa de informação? Diário? Semanal? Se a informação não for diária, haverá rádio local neste país que queira ter jornalistas nos seus quadros?

 Já quanto às mudanças das regras para a classificação de rádio temática, acredito que quando todas as emissoras puderem ser assim classificadas, a tendência será para optarem pela classificação de temáticas musicais, tal como hoje sucede com aquelas que decidiram especializar-se num tipo de programação. 

Num tal quadro, onde fica a informação local?

Acredito que estas medidas estejam ainda a ser alvo de reflexão por parte dos intervenientes, por isso, é de aguardar por mais desenvolvimentos. De qualquer forma, e num quadro que tende para a uniformização da oferta da rádio em Portugal, a informação, e em particular a local, poderá apresentar-se como um elemento diferenciador, desde que claro, seja feita por jornalistas e não por outras figuras, como o tal “radialista”.

 Já me parece muito positivo que o Governo tenha a intenção de, finalmente, estabelecer níveis que diferenciem as rádios locais. Tratar por igual uma rádio da Grande Lisboa e outra do interior alentejano, por exemplo, parece-me absurdo.