ÉTICA E JORNALISMO: UMA CARTOGRAFIA DE VALORES

 

Por: Tamiris Correa

A Ética dos “Jornalistas”

 O livro apresentado é “Ética e Jornalismo: uma cartografia de valores”, cuja autora é Mayra Rodrigues Gomes. É um livro sobre dilemas éticos das jornadas jornalísticas. Seu roteiro é de análise de algumas dicotomias clássicas da ética. O individual, o coletivo, o público e o privado, deveres e direitos, determinismo e liberdade. O vazio ético do jornalismo é a rigor o reflexo de um embate ideológico que se dá além da esfera da comunicação, um embate entre propostas divergentes de civilização e de organização. Não deixa de ser uma crise.

A autora relata que, para além da carência que leva a persistentes retomadas, é possível constatar um certo esquecimento das grandes questões da ética e das marcas sobre ela deixadas pelos pensadores que a delinearam. Das grandes questões sobre a ética da ética e de como estas reverberaram no exercício do jornalismo, sobretudo no código que o norteia, pouco se fala.

Em vários jornais fala-se sobre a ética, onde exemplos de ocorrências da palavra ética são de extrema importância, pois em cada um deles há diferenças de conotação.

A palavra ética tem vários significados, mas em jornalismo a autora uma definição que tem visitado as mídias em geral, e a imprensa em particular, além de ser emitida por autoridade no assunto.

A autora observa que tanto a ética quanto moral tem sua origem, uma no grego outra no latim, em palavras que partilham a mesma significação e remetem sobretudo à noção de costume. Quando se diz ética do jornalismo, o referencial então o conjunto de regras postas que agrupamos sob os códigos profissionais.  Tem sim um conjunto de valores, mas estes nunca colocam tendo como eixo apenas o campo profissional.

Os valores se resolvem em normas. É na aplicação das penalidades que incide a diferença entre norma moral e norma jurídica. Tanto o que é da ordem moral, quanto o que é da ordem jurídica se organiza num todo coerente denominado de códigos.

As normas tanto morais quanto jurídicas, de acordo com a autora, se organizam em discursos sob a égide de outros discursos nada significam a não ser que se realizem numa prática. As normas encontram sua legitimidade nos processos de legitimação e estes processos podem ser de natureza discursiva ou não.

Segundo a autora, é natural para a ética enquanto estudo e reflexão, o estabelecimento de propostas com caráter moral. É o que se testemunha nas obras dos pensadores. Também para Aristóteles o bem na forma da felicidade do homem é colocado como o objetivo a ser alcançado, visado pelas regras de conduta, pelos valores a serem respeitados.

De acordo com a autora, se for explorado o Código de Ética dos Jornalistas brasileiros também se confronta com a enunciação dos valores eleitos. No que diz respeito ao jornalismo é bom lembrar que o pacto que sustenta a informação é o compromisso fundamental do jornalista com a verdade dos fatos e seu trabalho pauta-se pelo apuramento preciso dos acontecimentos e a sua correta divulgação.

Para que a vida se imponha como valor universal, na igualdade e na liberdade como condições é preciso que haja respeito pelas diferenças. A mera existência da diversidade é ameaça ao ponto em que se agarra as identificações.

As questões sobre ética, pondera a autora, são vitais para o jornalismo, pois nasce como guardião do equilíbrio de relações entre individual e coletivo. O jornalismo responsável se faz motor de uma moral constituinte, na constante atenção ao equilíbrio entre o bem comum e interesses individuais. O jornalismo se reivindica o papel de vigilância e denúncia.

O jornalismo na figura da empresa, o jornalismo como seu agente e como agente individual são constantemente convidados a fazer esse julgamento, que muitas vezes oscila entre probidade e o sensacionalismo. Tal julgamento demanda uma posição ética e implica uma aproximação ética do assunto.

A noção de virtude não pode deixar de submeter-se às vicissitudes da visada moral de uma época e seu eixo central. Uma característica da virtude é sua positividade. O importante é perceber que onde quer que habite, a virtude põe em causa uma conformidade à moral já constituída.

O livre arbítrio perpassa a história da ética e tem a confirmação de sua necessidade na Declaração dos Direitos: a liberdade posta como requisito prévio para a realização do homem em sua dignidade.

Segundo a autora, a palavra ética não é exatamente daquelas que são básicas à conversação em sentido geral. O fato é que o jornalismo produz um espaço em que a ética pode chegar a seu mais alto grau de desiderabiliade, a informação sob perspectivas que despontam a ponderação e o debate. No espaço jornalístico, as questões éticas encontram-se ao alcance de todos.

Referência:

GOMES, Mayra Rodrigues. Ética e jornalismo: uma cartografia dos valores. São Paulo: Escrituras editoras, 2002.

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