Entrevista

 

Com o imediatismo dos dias atuais, nem sempre é possível se planejar uma carreira em longo prazo. Mas se a proposta é se pensar numa qualificação depois de efetivada a graduação, o que esperar dela? Nesta entrevista a professora de Língua portuguesa e mestre em Línguística Aplicada, Neide Arruda, trata dessas e outras questões.

Por: Meire Moreira

PROFESSORA NEIDE ARRUDA

IC: Qual foi a sua tese e como se deu a escolha do tema?

NA: O tema foi o ensino e a aprendizagem da Língua Estrangeira em sala de aula. Ela nasceu de uma questão que eu contestava que era a de que o aluno para aprender em uma determinada língua, tinha que pensar naquela língua, formular seu pensamento em inglês, por exemplo.

IC: Qual foi a sua maior dificuldade?

NA: Primeiramente, tempo para que pudesse me dedicar inteiramente aos estudos. Eu lecionava em período integral e preparava a minha tese de madrugada. Sabe aquela pergunta que professores costumam fazer aos alunos quando eles se queixam de não ter tempo- o que você faz da meia-noite às seis?- Era o que eu fazia- estudava. E outra dificuldade era a financeira. Mestrado é um investimento que custa caro.

IC: E o que ele representa para o professor?

NA: Se esse professor busca o aprimoramento de seus métodos de aprendizagem e se questiona a todo o momento sobre os mesmos, ele é de suma importância. Ele nos dá segurança para lecionar e impede que fiquemos reproduzindo as falhas de outras pessoas.

IC: E para a Instituição?

NA: O MEC avalia as Instituições de acordo com o número de mestres e doutores e as pesquisas que são feitas. Isto tem um custo para elas e um retorno, sendo que algumas financiam uma parte desse investimento. Se você quer saber se uma Instituição é boa ou não, basta conhecer o número de professores titulados. Faculdades iniciantes contratam professores sem mestrado ou doutorado porque fica mais barato.

IC: Para o aluno que está terminando a graduação e quer seguir a carreira acadêmica, qual a dica que você dá?

NA: Primeiro definir área de atuação no mestrado. E fazer um bom TCC para quem sabe dar continuidade no trabalho que ele já iniciou.

IC: Como era a sua relação com o seu orientador?

NA: Após um ano de trabalho e pesquisa eu troquei de orientadora e de tema. Comecei do zero e novamente tive sérios problemas por conta da arrogância que a sua titulação lhe conferia. A experiência foi realmente traumática e me afastou do meu projeto de fazer o doutorado. Infelizmente, alguns professores se esquecem que um dia também foram alunos. Riscam o trabalho, ridicularizam o aluno, não demonstram ter paciência.

IC: Um produto é preferível a uma monografia?

NA: Ambos são importantes para o aluno ou para o pesquisador. Depende do curso que estiver fazendo e da sua área de interesse. Ele deve identificar se deseja fazer um estudo teórico para propor mudanças ou criar algo. Se o aluno é formado em Desenho Industrial, por exemplo, talvez um produto seja mais interessante. Já se o curso é Letras um estudo teórico, reflexivo de sua prática diária seja mais indicado.

IC: Quanto custa em média uma Pós- Graduação?

NA: Na época eu investi algo em torno do preço de um carro popular zero quilômetro. O Doutorado está na faixa de 80 mil reais. O professor precisa contar com alguma colaboração do governo ou da Instituição onde leciona.

IC: Existem programas de apoio para esse fim?

NA: Existem inúmeros programas de incentivo. No site do CNPq você pode cadastrar o seu projeto para pleitear uma bolsa de estudo. A FAPESP também dispõe de instrumentos para auxílio do pesquisador. Uma bolsa de mestrado hoje está por volta de dois mil reais e o aluno não deve ter nenhum vínculo empregatício.

IC: A senhora gostaria de deixar uma mensagem para os alunos?

NA: Eu gostaria de agradecer a oportunidade e me colocar a disposição para quaisquer dúvidas e àqueles que interessarem em fazer mestrado devem fazê-lo, pois o retorno virá imediatamente.

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