TV Digital

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Por: Josafá Moraes e Elaine Santos

A televisão brasileira está mudando. Depois de 60 anos trasmitindo áudio e vídeo em formato analógico, os radiodifusores brasileiros, enfim, começam a enviar sinais digitais para nossas casas.

 

UM POUCO DE HISTÓRIA

 O conhecimento necessário para chegarmos aos dias de hoje com a tecnologia que o Brasil coloca em prática vem de muito longe. Na década de 1970 a NHK do Japão já colocava em testes um sistema de tevê de alta definição a partir do sistema analógico. Os resultados tiveram bastante repercussão, porém o sistema era inviável por necessitar de um espaço de espectro muito maior do que os 6 MHz para cada canal. No entanto, foi nesta época que perceberam a necessidade biofísica de uma tela mais larga, em conformidade com o potencial do olhar humano. No mesmo período a BBC do Reino Unido já colocava no ar um sistema de teletexto conhecido como Prestel. O teletexto teve boa aceitação por possibilitar um tipo rudimentar de interatividade na televisão, já dava para ver a grade de programação das emissoras, obter notícias em formato de texto e informações extras sobre os programas.

Apesar de barato e simples, o teletexto não foi conveniente em modelos de televisão aberta, como o brasileiro, por “atrapalhar” a visualização dos comerciais. Daí, o desejo por uma televisão de alta definição, com interatividade e mais canais foi se tornando possível na medida em que a informática se tornava presente. Pesquisas nesse campo evoluíram em muitos países, e na década de 1990 os Estados Unidos já colocavam em funcionamento o primeiro sistema de televisão digital do mundo. A televisão detinha o hábito americano de entreter, de modo que o sistema do grupo ATSC privilegiou apenas a alta definição no intuito de “melhorar o que já era bom”. Porém, o videocassete e o controle remoto já eram bastante populares e a internet estava nascendo para mudar esse hábito. Atentos a isso os europeus implantaram o seu sistema de televisão digital com melhorias em relação ao americano. Na era da internet, o DVB nasceu com a interatividade que evoluiu do teletexto, em uma plataforma melhor de transmissão digital. Onde os radiodifusores puderam optar por alta definição ou multiprogramação de acordo com suas próprias demandas. Porém no início desta década outra grande revolução nas comunicações não foi satisfatoriamente contemplada pelo DVB, os celulares. Nesta terceira fase da evolução da TV Digital, os japoneses aperfeiçoaram a codificação digital do DVB, e criaram um sistema também capaz de enviar sinal de televisão gratuitamente para os celulares.

Depois de realizar muitos testes com os diferentes padrões internacionais e de também tentar desenvolver um padrão próprio, o governo e os radiodifusores brasileiros, (com pouca participação da sociedade civil organizada) optaram por adotar o padrão japonês, por compreenderem ser o melhor e o mais adequado ao nosso modelo de televisão. Agora nossos emissores têm o desafio de adequar as múltiplas possibilidades de produção e distribuição de conteúdo da mais alta tecnologia, para um público de cultura heterogênea e de contrastes sociais marcantes.

CARACTERÍSTICAS

 O ISBD-TB (Sistema Internacional de Transmissão Digital Terrestre do Brasil) é o mais flexível e robusto dos sistemas. Ele possibilita alta definição de imagem, som em 5 canais com surround, multiprogramação, mobilidade, portabilidade e interatividade.

Para programas em alta definição (HDTV) adotou-se, por convenção internacional, o formato Widescreen (16:9), que é mais largo que o Standard (4:3) que estamos acostumados na tevê analógica. Um programa transmitido em alta definição e assistido em uma TV do tipo Full HD, possuirá definição de 1080 linhas, o que resultará em uma imagem 6 vezes mais densa (nítida). O áudio com 5 canais também é uma novidade que antes só se ouvia do DVD. Esses dois recursos possibilitam que o usuário tenha maior sensação de imersão.

Com uma imagem mais densa e um som mais limpo, é possível percebermos detalhes como fios de cabelos e o barulho de uma mosca. Por causa disso, os setores de produção devem investir em maior qualidade de cenário, maquiagem, iluminação, figurino e edição e efeitos sonoros.

Graças à codificação H-264, que o Brasil incorporou no sistema, as emissoras poderão transmitir uma quantidade ainda maior de bits em um mesmo canal. Cada canal é dividido em 13 segmentos e a emissora pode agrupar conforme conveniência, gerando até 4 programações em formato Standard e reservando o segmento do meio para os dispositivos móveis. Isso significa que é possível termos multiprogramação mesmo com um dos subcanais em alta definição e imagem para celular. Aliás, a transmissão de TV aberta para celular que já é um sucesso no Japão, promete fazer muito sucesso no Brasil. Com a portabilidade, podemos ver TV em qualquer lugar, no trânsito, na fila do ônibus, etc.

Com o sinal digital, acabam os ruídos e os fantasmas, ou a imagem é perfeita ou não se tem imagem. No entanto, os televisores comuns não estão aptos a recebem o sinal digital. Nem mesmo a maioria dos televisores de LCD ou Plasma que estão nas lojas possui o sintonizador adequado. Nestes casos, é necessário que o consumidor adquira uma caixa decodificadora de sinal digital conhecida como Set-top Box.

Uma grande inovação prevista na norma brasileira abre possibilidade de evolução da tecnologia das caixas decodificadoras. O que significa que é possível incorporar benefícios como uma porta USB (para conectar teclado, impressora, câmeras digitais, etc.), também uma entrada de rede para conexão com modem de internet em banda larga, ou ainda recursos como o Bluetooth. Com isso, só a televisão digital brasileira prevê possibilidades como imprimir a grade de programação ou a receita de um programa; enviar uma foto ou vídeo para a emissora ou para outras pessoas através da internet; ou ainda interagir com o celular conectado ao Set-top Box sem incomodar quem estiver na mesma sala vendo o programa em tela cheia.

 As transmissões digitais iniciaram em dezembro de 2008 e governo prevê o desligamento do sinal analógico em 2016. Até lá conviveremos com as TVs do passado de do futuro.

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