“Não tendo o que fazer, reforme”

Por: Meire Moreira

Mais uma vez a população brasileira é surpreendida com alguma idéia estapafúrdia do governo. A bola da vez é a ortografia que pode ou não sofrer alterações. Estas não trariam nenhum efeito no modo de como os falantes daqui se entenderiam com os de lá, ou vice-versa. Reforma-perfumaria deveria ser o seu nome de batismo, já que ocorreria na esfera mais superficial da língua, com mudanças que dizem respeito ao hífen, ao trema, ao acento diferencial, entre outros. O motivo alegado para a mudança é a unificação da língua entre países lusófonos, ou seja, aqueles onde se fala o português.

Em setembro deste ano, boa parte dos jornais e revistas brasileiros se ocupou unicamente com essa pauta. Veículos como A FOLHA DE S. PAULO, VEJA ESTADÃO, entre outros, em uníssono faziam coro ao reverenciar o tema. Parecia que todo o país ia viver uma catástrofe se a população não soubesse se posicionar diante do assunto.

A Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), que trata das pertinências relativas à língua, anunciou que 2008 deva ser o ano da reforma. Para outras entidades ligadas ao assunto, ela talvez nunca saia do papel. Basta lembrar que ela nasceu no governo de Sarney, quando a inflação alcançava a casa dos60%…

O que ocorre é que outros países que se supunha ter interesse pelo objeto em questão simplesmente ignoraram a discussão, a desculpa pelo descaso é a supremacia territorial brasileira e conseqüentemente, o maior número de falantes e por conta disso ser o carro chefe da reforma. Em outras palavras, eles têm coisas mais importantes de que se ocupar, e não podem como nós ficar divagando sobre o que fazer com o vasto tempo desocupado e desobrigado com as necessidades da população. Afinal, ter o que comer vestir, onde morar, saúde e educação é bobagem. Chique mesmo é fazer reforma. Mas nada complicado assim como reforma agrária, administrativa, previdenciária ou na esfera jurídica. Uma coisa assim mais “in”, mais “fashion”, que ocupe o espaço na mídia por um bom tempo, como agora, por exemplo, e não deixe a população se ocupar dos escândalos e falcatruas que veiculam na mídia. Coisa pouca…

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