Entrevista

Entrevista com o funcionário Benedito Geraldo Rodrigues, que trabalhou no Cine Ópera desde 1968, que pertencia à Empresa Cinematográfica Antonio Marotta Ltda.

Por: Meire Moreira

IC: Qual era a sua função?

Benedito: Todas as possíveis. Eu fazia desde a divulgação dos filmes em carro aberto pela cidade até desentupir algum cano, se precisasse.

IC: Como era o cinema naquela época?

Benedito: As pessoas iam bem vestidas como se fossem à missa. No final elas aplaudiam e quando o filme era triste, elas permaneciam sentadas por um tempo, como se estivessem se recuperando da emoção.

IC: E quando não era triste?

Benedito: Às vezes, elas ficavam por ali e os grupinhos discutiam sobre o filme. Parecia que elas não queriam sair dali.

IC: Quando o cinema lotava?

Benedito: Mazzaropi era garantia de cinema cheio. Se a bilheteria estivesse fraca era só reprisar que a casa ficava cheia.

IC: Conte algum fato engraçado ocorrido no cinema

Benedito: Um dia durante a exibição de um filme de Kug-fú, um sujeito “incorporou” um lutador e começou a dar chutes e golpes para todo lado e foi preciso chamar a polícia para tirá-lo para fora.

IC: O que é o cinema para você?

Benedito: Eu dei a minha vida pelo cinema, abdiquei de datas, aniversários, qualquer compromisso que atrapalhasse meu serviço. Quando eu fui mandado embora- e eu fui o último da empresa a ser despedido- eu chorei muito, a minha vida estava ali, foi muito difícil ver aquele lugar deixar de existir.

Explore posts in the same categories: Entrevista

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s


%d blogueiros gostam disto: