Espaço Literário

Resenha do livro Jornalismo Opinativo

Por: Marcela Rocha

    A obra Jornalismo Opinativo escrita pelo Professor Emérito da Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo: José Marques de Melo é composta de 235 páginas pela Editora Mantiqueira e na ocasião estudaremos o primeiro capitulo: Teoria do Jornalismo.

     Com todo avanço tecnológico existente ainda não é suficiente para modelar os fenômenos ocorridos no jornalismo, fato proveniente da quantidade de informações que recebemos a cada segundo e sem uma afirmação dos conceitos e categorias firmados no estudo científico do jornalismo. Tais variações afirmam ao jornalismo um ramo independente de conhecimentos.

     A tradição européia enraíza o jornalismo em suas manifestações típicas da comunicação impressa por questões históricas, esta que foi o único canal de expressão nos séculos XVII, XVIII e XIX. Otto Groth na década de 60 realça quando o rádio, cinema e televisão romperam o monopólio da imprensa reproduzindo as informações atuais. Francesco Fatorello explicou que o jornal por muito tempo foi praticamente o único meio de informação e os estudos desenvolveram-se ao seu redor.

     Mais atual, na década de 60, Danton Jobim reúne um conjunto de ensaios e reflexões sobre o jornalismo contemporâneo que não foge muito das questões especificas do jornal. Afirma que se trata de uma: necessidade social proveniente do aumento da quantidade de informações em tempo real. As novas dimensões do jornalismo mencionadas por Celso Kelly inclui os processos noticiosos contidos nos veículos audiovisuais, contando com a propaganda e as relações públicas, ou seja, o jornalismo mantém seu comportamento antigo mas abre espaços para as modificações, como o jornalismo de rádio, televisão. Firmando assim um jornalismo polivalente.

     Toda essa expansão do jornalismo ocasionou uma grande confusão, o jornal assim como os outros meios de comunicação é indispensável para o exercício do jornalismo, mas não o único meio, um jornal pode conter somente anúncios e nenhuma informação jornalística, ou seja, atua com os veículos de publicações independente de todas as notícias serem jornalísticas, com isso percebemos que a propaganda e as relações publicas são atividades cada vez mais relacionadas com o jornalismo, onde seu diferencial está no território de persuasão, enquanto estas buscam convencer os cidadãos e adentrando para o espaço imaginário o jornalismo atua no processo racional. Com todas essas modificações cada vez é mais preciso um estudo que oriente sobre as tendências dos sistemas de comunicação de massa no mundo atual.

    Enquanto isso, ao estudar o Periodik, Groth atenou-se para a essência do processo cultural-social que caracterizava a produção de jornais e revistas priorizando: a periodicidade, universalidade, atualidade e difusão. A partir desta especificação o jornalismo é mantido como um processo social que articula mediante esta relação entre estas mencionadas e os canais de difusão que asseguram sua transmissão em função do universo cultural ou ideológico.

     A ligação entre o emissor e o repórter são os fatos que estão acontecendo, o ponto de tensão está na diferença em que o público gostaria de saber e o que a instituição pode fazer, devendo assim, haver um equilíbrio entre ambas, pressupondo velocidade, credibilidade e abrangência. Percebemos então, que cada processo jornalístico tem suas próprias características variando de acordo com o publico e estrutura que se localiza.

    Para Otto Groth, a periodicidade e a difusão estão relacionadas onde a velocidade do rádio e televisão proporciona um ritmo diferente da produção jornalística no cinema e na imprensa. Segundo Roger Clausse a atualidade e a universalidade se entrecruzam, pois a atualidade vem da necessidade social de conhecer o que acontece no mundo para uma possível decisão ou opinião e ambos dependem da periodicidade da instituição, fazendo com que o publico procure estar cada vez mais informados.

   O homem sempre buscou o interesse pelo que acontece em sua volta e agora mais do que nunca com toda essa facilidade de informações intensificou mais ainda sua curiosidade, por exemplo, a quantidade de informações que a internet oferece no mesmo instante em que o fato ocorre tratando-se de um indicador econômico e um instrumento político. A imprensa mesmo ampliou seus domínios para a circulação mais rápidas das idéias na sociedade. Suas primeiras circulações ocorreram no século XV e ampliaram-se no século XVI, essas modificações como já mencionadas aconteceram devido à curiosidade humana e a migração do homem para a vida urbana, sendo fundamental estar atento de tudo que acontece em sua volta. As publicações difundiam-se através da imprensa, mas não possuía periodicidade, essa característica não remetia apenas a falta de tecnologia, tratava-se de uma questão política, as publicações dependia da autorização dos censores, com isso as atividades jornalísticas em Portugal só começaram depois da Revolução do Porto quando foi abolida a censura previa realçando cada vez mais a natureza política que o jornalismo assume desde seu nascimento, suas publicações clandestinas e até mesmo as oficiais.

   Diversos paises como: França e Inglaterra tiveram dificuldades em estabelecer a liberdade da imprensa, na Inglaterra os jornais até chegaram a atingir um numero satisfatório, mas foram barradas na sua atividade exigindo uma taxa relativa a cada exemplar publicado, essas medidas surgiram em todos os paises onde a burguesia tomou o controle estatal assim neutralizando seus inimigos de classes diferentes.

    Com o fim da censura previa, forma-se uma atividade difundindo idéias e defendendo pontos de vistas caracterizando pela expressão de opiniões, mesmo assim havia uma punição dos excessos cometidos pela legislação da época. Essas medidas inibem o jornalismo de opinião e estimulam o jornalismo de informação quando a imprensa norte-americana acelera sua produção e convertem as informações em mercadorias, as publicações refletindo nas participações políticas e influenciando na vida publica, mas o jornalismo de opinião não desaparece apenas tem seu espaço reduzido.

   Ambas as características correspondem a um artifício profissional e político, até o limite em que o jornalismo se propaga marcado pelo dever de informar e opinar na instituição que atua, cada processo tem sua ideologia independente do artifício utilizado. Estas duas categorias vêm firmando a transição do jornalismo, Luiz Beltrão afirma: “Jornalismo é antes de tudo informação (…) Informação, bem entendido, de fatos atuais, correntes que mereçam o interesse público…”, o jornal, por exemplo, faz a junção da notícia junto com o mercado publicitário, suas propagandas, anúncios.

   Nos paises capitalistas o jornalismo torna-se um negócio buscando atender os desejos dos consumidores ou equipara-se aos padrões das mensagens não jornalísticas que fluem diariamente.

    Fraser Bond ressalva as razões do jornalismo: informar, interpretar, orientar e entreter onde a necessidade de interpretar é realmente visível, na qual o jornalismo divisional está cada vez mais intenso, as pessoas buscam o entretenimento, sendo assim uma forma de lazer, antigamente o trovador exercia essa função, com suas canções, poesias e danças.

    Essa ramificação contribui para satisfação das necessidades sócias preenchendo alguns requisitos: observação, aconselhamento, educação e diversão, alguns estudiosos aceitam essa classificação outros recusam alguma delas.

 

     Jornalistas brasileiros, como: Cremilda Medina e Paulo Roberto Leandro buscam resgatar a identidade do jornalismo interpretativo, como: “o esforço de determinar o sentido de um fato, através da rede de forças que atuam nele”, porém esse gênero não encontrou muita receptividade, apenas em poucos jornais de São Paulo e Rio de Janeiro. Clovis Rossi questiona sobre cobrança e pressão ao jornalista em condições precárias de trabalho.

    O jornalismo diversional também é outro gênero muito questionado, com a finalidade de distrair, trazendo a pessoa para o entretenimento deixando de lado as preocupações do dia-a-dia, aos profissionais deste seguimento são poucos os que podem se dedicar mais tempo em uma única matéria, já que exige um cuidado especial, muito utilizado em revistas ilustradas. De todos os meios de comunicação, já mencionados, o jornal é o que mais de adequada para anúncios de serviços profissionais, os estudos do jornalismo são provenientes da Alemanha quando foi apresentada a primeira tese de doutorado sobre a estrutura do jornal diário e firmando-se no final do século XIX e inicio do século XX, Otto Groth foi um dos pioneiros da atividade, já Celso Kelly buscava a reformulação do currículo mínimo de jornalismo, no Brasil essa proposta encontrou grandes dificuldades tanto que instituiu o primeiro currículo para área de comunicação social com uma nova habilitação: comunicação polivalente, muitos jovens tiveram dificuldades após a graduação impedindo que os comunicadores polivalentes exerçam suas atividades na área.

    O jornalismo vem passando por diversas adaptações até os dias atuais, desde o período que as informações eram divulgadas nas portas das Igrejas ou quando os trovadores partiam com o objetivo de informar e entreter. Estudos evidenciam que o jornalismo sempre teve um caráter político, na qual o Estado controlava as informações e publicava o que fosse lhe favorecer.

   Mediante aos novos estudos e adaptações surgem os gêneros jornalísticos, em que cada um destaca-se por um foco específico, com o objetivo de deixar de lado o caos do cotidiano e trazendo ao leitor diversão, nasce o jornalismo diversional, mais encontrado nas revistas ilustradas, porém esta atividade requer do profissional maior tempo, ou seja, disponibilidade para produzir a matéria.

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