Onde foi parar a dignidade humana?

Por: Elaine Santos

                     Celas lotadas, sujas, banheiros quebrados, pessoas dormindo no chão, amontoadas, sem nenhum pingo de higiene, precariedade nos ambulatórios e enfermarias, corredores escuros por falta de lâmpadas e muita gritaria. Infelizmente, hoje, esse é o retrato, a descrição de nossas penitenciárias.

                     Pessoas vivendo como se fossem bichos, esquecidas da sociedade e sem nenhuma dignidade. Pergunto-me: “Será que por entre aqueles corredores solitários, não há nada além dos gritos, dos gemidos, dos pedidos de socorro?”

                    É possível ver em cada rosto a solidão, o desprezo, a falta de amor próprio. É como se todas aquelas pessoas ali trancadas, tivessem sido seqüestradas delas mesmo. Um seqüestro longo e muitas vezes sem volta. Segundo dados do Ministério da Justiça, de cada 100 mulheres presas, 60 são presas por envolvimento com drogas, superando até mesmo os homens. Um dado assustador, porém, o que ninguém vê, é o que as levou a se envolverem com o tráfico. Muitas dessas mulheres tinham filhos para criarem sozinhas, o marido, o companheiro estava preso, ou tinha morrido ou as tinha abandonado, não lhes restando muitas alternativas. O mundo do tráfico é perigoso e também sedutor, dinheiro fácil e dá para sobreviver, só que a pessoa perde a sua dignidade, se deixa seqüestrar por um mundo, muitas vezes sem volta.

                  Recordo-me de uma notícia que li há pouco tempo, um bebê que morreu dentro de uma cadeia por falta de cuidados médicos, e isso confesso, mexeu com as minhas emoções. Não é só pelo fato de ter violado os direitos humanos que isso aconteceu, foi com tudo, por falta de dignidade humana.

                 É um engano pensar que todos os presidiários devem estar ali pagando por seus crimes. Pessoas, estamos falando de pessoas, que a cada dia estão sendo jogadas dentro daquelas celas, sem nenhum respeito, algumas até, pagando por crimes que não cometeram.

                Falta tudo dentro de uma penitenciária, falta assistência médica, profissionais qualificados, campanhas de saúde, assistência ginecológica, remédios, berçários para os filhos, acompanhamento durante o pré-natal, mas, além de tudo isso falta o principal:  dignidade humana.

               É preciso resgatá-la. É preciso pagar pelo seqüestro de todas essas pessoas, temos que olhar por elas, dar amor, atenção, carinho, respeito. A sociedade, eu, você, precisamos pagar o resgate e ajudar os presidiários a se encontrarem, devolvendo a eles o que há muito foi perdido, dignidade humana. 

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