Ciladas do copo

cerebro1

O álcool modifica as reações cerebrais.Entender essa mecânica é o primeiro passo para findar este malefício.

Por: Eduardo Gois e Karina Pontarolo

 

Os alcoólatras sabem como é difícil suportar o famoso” golinho” na roda de amigos.Por esse motivo é que diversos estudos na área de medicina vem acontecendo,não só para entender este tipo de problema, mas também para ajudar às pessoas que sofrem por não conseguirem ser mais fortes do que a bebida. 

Todos os depoimentos de personagens a seguir são pseudônimos:

Para José, recaídas já fazem parte do cotidiano. Após três tentativas frustradas de parar com a bebida, ele se sente entregue e sem forças para vencer o vício.

Segundo artigo da revista Mente e Cérebro, publicado em 2006 esse fenômeno é denominado de “desejo condicionado” o indivíduo pode se habituar a beber na mesma hora, local e com as mesmas pessoas tornando a ação praticamente um ritual. Mesmo depois de muito tempo com o controle da situação uma recaída de leve pode ser o suficiente para reverter todo o processo.

O caso de Dirceu mostra outro ângulo da tentação à bebida.Ele não colocava um gota de álcool há sete anos na boca.Mas ao participar de um encontro religioso se sentiu muito abalado emocionalmente e quando menos espera teve um ataque de convulsões ,vômito e suor.O que ele queria mesmo naquele momento era virar uma garrafa inteira goela à baixo.Quando parou de beber Dirceu substituiu o vício da bebida pelo cigarro.No local onde ele se encontrava não tinha como saciar o desejo com nenhuma das duas opções.

O que aconteceu com Dirceu é o que os cientistas chamam de “abstinência condicionada. Este fenômeno químico pode acontecer quando o indivíduo está abalado psiquicamente, mesmo após longos períodos sem o consumo de álcool.

Durante muito tempo os alcoólatras foram taxados de fracos,e sem iniciativa para largar o vício.Sabe-se que largar a bebida por si não é tarefa fácil.E  independente de querer ou não, cada indivíduo tem uma assimilação biológica diferente com relação a dependência química.

Em artigos publicados, o psiquiatra e especialista no assunto, Andreas Heinz,revela que a sensibilidade individual aos efeitos do álcool nos neurônios influência significativamente a chance da pessoa torna-se viciado.

Genética e as respostas do Álcool no Organismo

Fonte: Revista Super Interessante Ano 14, n.2 – fev. 2000.

“Pesquisa realizada na Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, iniciada em 1978,mostra que os filhos de alcoólatras são os mais fortes candidatos ao alcoolismo. A herança genética é determinante também à alta resistência ao álcool, suportando-o melhor.

Só 5% dos descendentes de não-alcoólatras têm alta resistência ao álcool. Já quando um dos pais é alcoólatra, o número de resistentes sobe para 40%”.

Isso significa que não só a tendência ao vício, mas os tipos de reação ao álcool,podem estar inscritos no DNA.

A pesquisa mostra que indivíduos capazes de ingerir grandes quantidades de bebidas alcoólicas e estarem “bem” no dia seguinte são justamente os que correm mais risco de se tornarem dependentes. Descobriu-se também que os mais resistentes costumam ser filhos de alcoólatras.

Estatísticas do governo americano apontam que 8% da população dos Estados Unidos é vítima do alcoolismo. Entre filhos de alcoólatra, o número sobe para 40%. Quando pai e mãe são dependentes, a porcentagem vai para 60.”

Apesar de parecer ser tão difícil se livrar do álcool , para o psicanalista,Wagner Paulon diz ser uma doença totalmente curável:

“O alcoolismo é doença crônica, psíquica, somática ou psicossomática, que se manifesta como um distúrbio da conduta perfeitamente tratável.”

A verdade é que não existe uma fórmula mágica para o fim do alcoolismo.O que se aconselha é que para todos aqueles que tem casos de alcoólicos na família ou de amigos.O ideal é o acompanhamento e apoio.Ninguém vive sozinho o alcoólatra não precisa de julgamentos e sim de pessoas que sejam a mão que ampara e sustenta,com conselhos e orientações.

Procurar um grupo de AA – Alcoólicos Anônimos é o primeiro passo.

Vale Conferir :

Heinz,Andreas,Revista Mente e Cérebro Junho de 2006.

Revista Super Interessante Ano 14, n.2 – fev. 2000. 

Explore posts in the same categories: Gerais

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s


%d blogueiros gostam disto: